Sejam bem vindos nessa casa, onde despida de qualquer pudor, ouso ser eu mesma!

Sejam bem vindos nessa casa, onde despida de qualquer pudor, ouso ser eu mesma!

Que ela possa ter alguma valia para quem lê, estuda , sente e vive a questão aqui tratada. E que de alguma forma minha experiência possa orientar. Sem medo, mostro meu caminho, o caminho que estou seguindo no desejo de ser feliz no desejo de estar bem e viver bem e no desejo de que um dia , possam todos em um nivel melhor e mais elevado de consciência, estarmos numa mesma vibração de amor e respeito uns aos outros! E que sejam bem vindos todos os filhos desse universo e que todos os pais sejam um dia iluminados com o poder do verdadeiro amor filial. O amor é assim: sem egoismos, sem orgulhos, sem pudores, feito criança ele apenas sente...por enquanto é isso!

http://www.youtube.com/watch?v=WBSAVK2xLgU
decidi colocar esse link: DA MULHER INVISIVEL porque todos que estão a trabalho da alma e não pelo ego, são invisíveis!

terça-feira, 1 de março de 2011

DEPOIMENTO -NU E CRU -

Me pediram que eu escrevesse um depoimento sobre minha experiência em alienação parental. Como não redigi nenhum texto nesse sentido , aproveitando essa tarde chuvosa em São Paulo, é o que decidi fazer.

Há tempos venho pensando sobre o assunto e já havia dito antes que um livro iria escrever, mas enquanto esse livro não vem, serve o presente, além do blog que atualmente funciona como uma catarse emocional, para depois juntar tudo e quem sabe assim sai o livro.

Hoje estou com 45 anos, faço 46 em julho, e desde que me conheço por gente, venho experimentando toda sorte de sentimentos e sensações “erradas” e por não conseguir identificá-las é que sempre, que pude, procurei ajuda de psicólogos, imaginava que ao menos esses profissionais pudessem me ajudar e então me fazer identificar os motivos de tamanha confusão de emoções que não sabia identificar e que me faziam muito mal.
Desde cedo, experimentei toda a sorte de emoções negativas que se pode sentir, dentro de uma família totalmente desmoronada, desestruturada pela separação dos pais de forma traumática, abrupta e violenta.
Conta, minha mãe que aos 5 ou 7 anos, não lembro eu tinha um tique nervoso, meus olhos teimavam em piscar sem parar, daí veio meu apelido “pisca-pisca”, e conta ela também que logo depois da separação de meus pais fui a uma psicóloga, coisa que nem lembro , devo ter deletado....
Mas o fato é que meus pais se separaram de forma violenta e como tudo na minha vida iria mais tarde se tornar dramático e fatalista, vi que o inicio desse que eu chamo “kit-desgraça” deu-se na infância.
Não sei direito o que vi e o que vivi, o que presenciei naquela época, mas o fato é que cresci , desde tenra idade até meus 17 anos, sem ter meu pai por perto e acreditando que meu pai se tratava de um monstro de inigualável maldade.
Não me lembro direito os motivos que fizeram com que meu pai se afastasse de suas filhas, tenho uma irmã mais nova uns 2 anos e 9 meses! O fato é que meus pais sumiram da minha vida! Não! Minha mãe estava comigo, mas ela de certa forma sumiu desde a separação, da minha vida, tornando-se omissa em quase tudo.
Um fato que lembro bem é que essa alienação parental fora praticada durante toda minha infância, e inicio de adolescência pela família inteira de minha mãe. Minha avó era viúva, e talvez a mais responsável pela alienação parental. Naquela época ela nos sustentava financeiramente e esse fato sempre faz com que o mais poderoso , aquele que tem o poder através do dinheiro imponha aos seus súditos algumas normas de comportamento e regras ditas e não ditas. Pois bem: uma regra dita e sempre dita que ouvi, foi que meu pai, que era uma pessoa do mal, monstro do mal, e levava consigo todo um rol de predicativos que duvido encontrar em um dicionário vigente!
Os homens, na mente de minha avó nos faziam de “privadas” defecavam e sumiam!

Fato é que minhas emoções se tornaram confusas, as vezes devo ser assim ainda....mas eu não sabia dizer se gostava dele ou não, eu lembro que quando tinha uns 9 anos, na época da recém-separação eu não podia escutar uma música chamada “Naquela Mesa” , essa musica me causava uma angústia incomensurável e me perturbava de tal modo que devia me sentir a criatura mais solitária e incompreendida desse mundo. Chorava muito e nem sabia os motivos. Olha só a confusão de sentimentos: Eu chorava pela música que dizia sobre a falta de um pai “naquela mesa” na mesa da minha casa , e não entendia o motivo do choro já que renegara meu pai junto de todos na família, afinal ele era pessoa mal vista, indesejável e tratava-se de um verdadeiro monstro. Então como eu poderia explicar a mim mesma essa sensação de saudade de angústia por alguém que não merecia meu amor? E além disso , não me aceitara como filha, já que afastara-se de mim e de minha irmã sem nenhum motivo – ao menos para as filhas - ? A rejeição, a angústia, a infelicidade, a cumplicidade desenvolvida ao lado de minha mãe me confundia por inteiro!
Minha mãe fala até hoje que eu , aos 9 anos disse a ela que ela poderia se separar do meu pai pois estaria sempre ao lado dela estando ela certa ou errada! Acreditem, eu falei isso! (eu lembro de mim falando essa frase, acreditem) E foi com isso que cresci. No comprometimento que fiz a minha mãe em juramento infantil de que estando ela certa ou errada a apoiaria até o fim....fim esse que me custou uma vida, a minha vida!

Após a separação, aos nove anos, morávamos num estado longe de São Paulo, morava no Mato Grosso, naquela época o estado do Mato Grosso era apenas um. Anos 70. Minha avó veio morar conosco para apoiar ($$$) minha mãe, que era a primeira mulher “desquitada” da família, vejam só, além de tudo ainda tinha esse preconceito! Naquela época minha mãe começou a cursar faculdade de direito.

Minha família era composta de : uma avó autoritária , nervosa, perturbada, uma mãe confusa e incapaz de lutar por si mesma, uma irmã até então sem sentimentos, gelada e sem compartilhar seus pensamentos, nunca chorava na nossa frente, acho até que nunca chorava! Além de uma empregada doméstica que conviveu conosco por cinco anos. Era essa minha única  familia! Estava longe de todos, distante de tudo e de mim mesma. Não havia familiares por perto, estava longe de tudo..
.
Nunca aprendi, nunca me ensinaram a ter amor-próprio, auto estima, confiança, fé, nada, nenhuma noção de nenhuma moralidade, educação, nada! Cresci por mim mesma, eu e minha irmã.
De fato em algum momento no final da infância e inicio da adolescência percebia que não fazia mais parte daquela família. Meu pai sumira de vez, desapareceu por completo, feito mágica colocou-se um “pir lim pim pim” na minha vida e de minha irmã e sumiu, apesar de sabermos sempre por onde andava, porque sempre residiu no mesmo lugar...
Esse sumiço , essa desintegração total familiar me fez acreditar que não era pessoa capaz de receber afeto de ninguém, nem tampouco dar afeto! Isso em relação aos relacionamentos entre homem e mulher. Eu amava minha mãe, era um mito pra mim, mas foi assim até meus dezessete anos, quando em um ato de revolta acabei brigando com ela e até disse que ela poderia esquecer de mim como filha e em um ato de desespero e solidão tentei cortar os laços maternais, nessa doce ilusão de que isso me traria de volta uma pessoa que não era eu, mas que queria ser alguém, alguém amado por alguém e de preferencia quem sabe, amado pelos próprios pais...descobri que os defeitos, a própria educação de minha mãe não permitiram que ela descobrisse como dar e receber afeto de filhos, afinal dizia ela, que não teve afeto dos pais então não saberia dar o que não teve....então a conclusão de minha vida era que eu nunca havia recebido afeto de ninguém, mãe ausente, sempre confusa e pai ausente e sempre um monstro! Ambos vivos, bem vivos e perto, tão perto e tão longe!
Quem poderia me amar, quem poderia acreditar em mim como pessoa?
Claro que nem eu mesma poderia sentir isso!
Somos consequência desse primeiro mundo na qual vivemos e crescemos, e aí já estava com dezessete!
Como disse acima, desde o inicio de minha adolescência percebia que não fazia mais parte daquela família, por não compactuar com nada que ali dentro se falava,  vivia,  sentia, não compactuava com nenhum valor moral, amoral e imoral que ali era vivido...o som da minha família me perturbava...as músicas da minha casa me perturbavam....a televisão da minha casa me perturbava...o cheiro, meu quarto, então aquilo ali não era meu lugar.
Percebem? Não tinha mesmo família, nem teto, minha sorte mesmo é que não descambei ao vicio de drogas , não fui pra rua, não me prostitui, não me envolvi com nada que colocasse minha vida em risco, disso tenho orgulho de mim...nem sei o que me guiava naquela época...
Só sei que depois que fugi de casa – a estória está no meu blog – depois que fui morar em Campinas/SP – fiquei por dois longos anos em depressão, engordei e era o auge da minha adolescência....sempre só. Minha mãe não percebia ou não olhava pra mim...durante esse período estava no colegial, estudava de manhã e quando ia à aula, dormia a tarde toda, e ficava insone nas madrugadas campineiras. Minha mãe morava com uma pessoa, meu padrasto naquela época também vivia o mundo dele, ninguém nunca olhara para mim e para minha irmã. Por mais que ela tentasse chamar a atenção nunca olharam de fato! Ela sempre deu mais trabalho, porque eu era quieta, conseguia, não sei como seguir minha vida e desabafava em meus diários, não em comportamentos suicidas, oportunistas, e agressivos como minha irmã.

O fato é que minha alma ansiando por ajuda, sempre soube que se não poderia contar com mais ninguém, creio que decidi em algum momento que eu tinha que ter ao menos eu mesma!
Talvez seja por isso é que consegui seguir nos estudos e apesar de ter faltado tanto na época do colegial, estar morando num lugar indesejado por mim, não ter amigos, estar sempre só, quando conseguia me concentrar um pouco, conseguia ter vontade de estudar....isso me salvou. E apesar de ter tido tantas mudanças geográficas na minha vida, pois que eu me lembro devo ter mudado de casa e de cidade por mais de quatorze vezes, andei por todo o interior do estado de São Paulo, pelo Mato Grosso , na cidade de São Paulo,  e com isso mudava de escolas por todo o momento, pior que cigano, imagino, teve ano que mudei de escola duas vezes, ou seja iniciava o ano em uma escola e em agosto estava em outra! Não sei mesmo como não sucumbi e não repeti nenhum ano e nem fui parar numa febem da vida! Ninguém pensava nas crianças. Naquela época era pior ainda! As crianças eram joguetes mesmo! Ninguém pensava nelas...ou seja no meu bem estar e no de minha irmã!

O que foi bom, no meu caso, é que dentro de mim sabia que faltava algo e me despi de orgulho e fui me resgatar. Aos quinze, quando fugi de casa – vejam no blog - descobri que queria muito morar sozinha, e quem mais me ajudou na vida? Minha avó, que hoje vejo como minha mãe. Meus avós. Minha avó se casou novamente com um senhor de nome Gentil que o considero mesmo como família e avô.
Esses dois me apoiaram e me ajudaram financeiramente a morar sozinha. Me custearam a faculdade de direito. E imaginem onde fui morar e estudar? Tentem imaginar pra onde fui morar sozinha? Sim, na mesma cidade que meu pai residia e ainda reside, na mesma cidade onde nasci. Retornei às origens! Não tinha mais como não seguir esse instinto, esse desejo, consciente ou inconsciente!
Ironicamente o universo me prega essa peça, ironicamente? Não acredito nisso, acredito que naquela época e ainda hoje sempre estive à procura de mim, de minhas raízes, das raízes que me foram arrancadas feito aborto, que me foram impostas feito estupro! Perdi todo o contato com minha família por parte de pai, onde tinha primos legítimos, já que minha mãe é filha única, mas pela família de meu pai, ele com mais sete irmãos, me negaram tudo! Me negaram crescer ao lado de meus avós paternos, tios e tias, primos e primas que hoje os vejo através de rede sociais pela internet, vínculos? O tempo passou...

E por estar à procura de mim mesma fui morar na minha cidade natal, onde aos poucos fui me aproximando de meu pai e com muita timidez, medo e sofrimento fui chegando perto. Primeiro ligava no escritório onde ele trabalhava e dizia : _ posso passar ai? Ele, do lado dele devia ter medo de mim também , pois não sabia como estava meu estado de espírito, devia pensar: o que essa menina quer fazer aqui depois de tantos anos? Vai brigar na frente de todos? Vai me xingar? Não sei, nunca falei com ele sobre o assunto, mas acredito que devia pensar assim. Mas o fato é que aos dezessete comecei a resgatar um pouco , não do meu passado, mas daquela pessoa que estava na minha certidão de nascimento como sendo meu pai. Ligava, e cheia de medos ia visitá-lo em seu ambiente de trabalho. Naquela época meu pai trabalhava como contador de um tio meu. Então até me aproximei um pouco , mas um pouquinho só desses primos...
Fazia faculdade na cidade, morava sozinha, e comecei a trabalhar...aos dezessete anos...tenho orgulho de mim.
Essa aproximação foi se estreitando, e então quando me ví, estava almoçando na casa de meu pai, junto de minhas irmãs e madrasta quase todos os dias! E adorava a comida dessa mulher! Fiquei assim , durante a faculdade, ia comer lá...saia do trabalho, almoçava lá e retornava ao trabalho...assim conquistei essa família, e até hoje estamos aqui! E por mistérios do universo, elas estão morando ao lado de minha casa, apenas 50 km nos separam.
Depois de 45 anos sem natal com meu pai, o ano de 2010 reservou para mim esse dia, passamos juntos, eu , ele, minha filha, meu marido, minha madrasta, minhas irmãs e meus sobrinhos! Foi maravilhoso e emocionante! - (filmei - anotei e vou postar depois no blog quando a estória chegar nos dias atuais)

Meus avós sempre ajudando e minha mãe sempre longe...hoje não julgo mais, mas um fato preciso dizer para às mães em geral que foram e ainda são muito vaidosas, muito alheias à educação dos filhos e muito egoístas....cuidado: cuidado porque a vida vai dizer onde está a sua falta na maternidade. Não se brinca com maternidade, não se faz pouco caso da paternidade, pois essa é a única missão de que temos consciência na vida!

Essa fase me ajudou a construir pontes com meu pai e aos poucos a ir conhecendo-o de verdade, claro que isso gerou e ainda gera inimizades, ciúmes pelo lado de minha mãe e de minha irmã, que deseja a morte dele. Ela fala isso sempre que pode, ainda o chama de verme e de tantos outros nomes que não posso ficar repetindo....não tenho mais nem dó dela, estou aprendendo a sentir compaixão, creio que deve ser esse o melhor sentimento...

Estou no meu terceiro casamento e acho que já não quero mais...quero ficar sozinha, quero viver sozinha...nunca gostei, nunca amei de fato nenhum homem, mas ...

O pai da minha filha...é...o pai da minha linda filha... fiquei por longos 12 anos e quase morri, escolhi muito mal, tive todos os infortúnios que poderia viver num relacionamento.
Depois descobri que nunca o amei de fato, vivi doze anos com uma pessoa que sequer gostava, eu descobri que eu tinha uma forte ilusão, a ilusão que me pegava de fato e me grudava nele, a ilusão de que finalmente tinha uma família e que ele era o pai de minha filha e que iríamos ficar juntos numa "pseudo-família-segura" que nunca existiu de fato. Quando percebi, estava sustentando emocionalmente e financeiramente esse relacionamento...vivi nessa ilusão criada por mim mesma por doze longos anos e quando me dei conta, vi o grande teatro na qual estava vivendo, e a custo de minha saúde física e mental. Desenvolvi todas as doenças que se pode somatizar a partir de então. Fora as da infância... Ainda hoje, após oito anos de separação tenho produção em excesso de histamina, o que me dá urticária , herdada do descontrole emocional vivido naquela época. Minha vida totalmente fora do eixo! Caos total! Hoje já foi objeto de análise e sinceramente já o perdoei e já me perdoei por isso, e é só por isso que escrevo sobre o assunto, caso contrário nada poderia dizer, sob pena de sofrer tudo, tudo mesmo novamente....não dizem que recordar é viver? É fato , mas é fato que hoje posso recordar porque já saí de mim, hoje não mais a Maria Lucia, porque ela cresceu junto comigo! Se não tivesse resolvido na seara das emoções e da alma todos os sofrimentos, angústias, desamor. solidão, depressão,  não seria possível escrever.
Fato é que, por não ter nenhuma auto-estima, e por questões mais profundas que o texto permite nesse tempo, (estou no depoimento que me foi solicitado hoje) escolhi mal, vivi mal , mas tive uma filha, e pensava em nunca ter filhos! Balela! Minha linda filha, hoje com 16 anos me ensina a viver! E aprendo com ela a não cometer os mesmos erros que fizeram comigo, afinal motivos para praticar alienação parental tive de sobra, mas eu consegui ver isso e hoje ela tem um relacionamento com o pai que está presente na vida dela. Apesar de toda a destruição emocional , física e financeira, doenças que somatizei, depressão que experimentei, enfim...tudo o que experimentei ao lado dele, eu devo deixá-la livre, permitir que ela conheça o pai, que ela julgue por si mesma! Afinal ele era meu marido, não dela! Ela é saudável nisso, graças a minha percepção em não misturar as vidas! Graças a minha saúde mental , hoje! Isso também demorou, não foi da noite para o dia, mas se esse caos demorou mais de 40 anos para se instalar, essa desintoxicação , posso assim dizer, está vindo rápido....de dois anos para cá! Me sinto orgulhosa de mim mesma. Minha alma finalmente agradece estar sendo ouvida!

Olhem, só para deixar algo aqui....o pai da minha filha deu motivos, muitos e inúmeros motivos, dela não o querer mais por perto , deu motivos a ela para que ela o rejeitasse. E é claro, para que eu praticasse de mão cheia a alienação parental mais majestosa que se podia fazer! Desde que ela nasceu, analisando os fatos - (que deverão ser narrados aqui também), motivos nunca faltaram, mas no ano passado descobrimos , ela me contou finalmente, chantagens dele para ela terríveis além de outras estórias, o que fiz? Pedi a ele um tempo de afastamento, um tempo a fim de que minha filha pudesse "digerir" essa estória, não saberia dizer quanto tempo, mas o tempo suficiente dela poder ter coragem de se abrir com ele....ela estava mal por conta de algumas coisas que aconteceram...teve inicio de depressão, síndrome do pânico, quase repetiu na escola, crise de ansiedade de pararmos no hospital por conta de taquicardias, mas o que fiz? Disse a ela que nisso era PHD e que eu mesma iria tratá-la até um certo ponto, caso ela não melhorasse iríamos partir para a psiquiatria, mas então ficamos do mês março até setembro de 2010 nesse tratamento emocional, físico e psíquico. Tive que sequestrar minha filha que estava indo morar com o pai num outro estado....sim, sequestrei-a de volta , essa estória é para um outro momento! Lutamos juntas e nessa luta ela aprendeu a ser mais forte que tudo isso, e quando ela conseguiu , realmente falar, se manifestar ao pai, porque antes ela travava com ele...mas quando finalmente se soltou, isso se deu somente em agosto ela então desabafou com ele e disse que o perdoava, mas que aquele tempo tinha sido necessário. No final ela ficou só dois meses sem falar com ele....eu cuidei direitinho e tenho orgulho disso. Nunca interceptei nada, nunca interrompi ligações, nada. Minha filha tem a privacidade dela e sempre teve! Só disse ao pai dela para esperar um pouco...depois ele pediu desculpas à filha e estão nessa sequência da vida....passaram final de ano juntos e ela segue no perdão, quanto a ele, a questão é dele...e fico feliz por minha filha ter aprendido dessa forma, sem precisar de remédios que só prejudicam e nos fazem "dormir para a realidade" e lutando consigo mesma, aprendendo a se conhecer e respeitar seus limites. Ela teve medo de muitas coisas, mas superou e hoje está forte emocionalmente e sabem mais? Vi o pai dela agora em janeiro quando fui pegá-la de volta das férias, nem sabia que iria vê-lo pois não o havia visto fazia mais de um ano, quando as coisas aconteceram....então ele apareceu lá para despedir da filha e eu depois fiquei surpresa comigo mesma, pois o cumprimentei com beijinhos e tudo e nada....nada senti....não senti raiva...nem dor....nem culpa...nada....aprendi a respeitar tudo isso e só me dei conta desse fato já depois em casa! Feliz e surpresa pela rapidez de meu perdão de dentro mesmo! Fiquei feliz , por tudo isso! mesmo!

Por conta desse histórico emocional, estou hoje aqui, num recomeço de tudo, de vida de tudo!

Graças a Deus encontrei uma excelente profissional na área da psicologia que há dois anos me ajuda em muito e me fez entender o perdão! Essa profissional me salvou! Importante dizer isso, porque eu procurei muito tempo por um profissional que pudesse de fato me auxiliar, de fato mesmo, que não fosse obsoleto como tantos outros que conheci, mas o universo conspirou a meu favor e agora está saindo tudo certo, mas só hoje! Aos 45 anos!

Tem mais um detalhe importante:
Faz oito anos que estou em São Paulo, e quando vim para essa cidade uma pessoa que gosto muito hoje, em entrevista, falou que iria me chamar de Dra. Georgetti! Pasmei! Morri! Surtei! Afinal o Georgetti ainda estava lá, não totalmente resolvido, não perdoado de fato! Fiquei cinco meses ouvindo as pessoas me chamarem de Georgetti e não estava gostando, não me acostumava...isso estava sendo ruim...afinal vivi uma vida sendo a Lu, agora a Georgetti? Por mais ironia ainda o cartão dessa empresa veio assim: Dra Georgetti , é pra rir não é mesmo?! Pois bem, e foi somente depois de cinco meses que aprendi a incorporar meu nome e acabei esquecendo, daí comecei a me orgulhar dele e comentei o fato ao meu pai numa ligação e em tom de orgulho disse: _Está vendo? Aqui em São Paulo sou a Dra. Georgetti! Minha mãe chegou a falar que esse nome era ruim, dava azar...fiquei triste em ouvir, afinal já estava velha demais para continuar isso tudo, mas disse a ela que era assim que era meu nome e pronto! E também reforcei que a pessoa quem decidiu me rebatizar dessa forma disse ter gostado muito do meu nome que era um bom nome além de ser muito forte! Então ficou assim até hoje. Aqui em São Paulo sou a Georgetti para uns e Dra. Georgetti para outros. Uma nova vida! Um novo nome!

Depois, por algumas razões da vida, ainda fiquei afastada de meu pai por longos treze anos, sem nenhum contato! E por desígnios do universo, depois de 45 anos tive um natal em família, tive um natal com o Sr. Georgetti, tive um natal com meu pai! Vou contar melhor no blog.

O tempo passou e aprendi que não tinha mais o direito de julgar meus pais, por isso a declaração de amor que fiz no meu blog! Minha libertação veio através do perdão, através desse amor sufocado durante tantos anos e que consegui , ao menos por uns dias, durante o natal de 2010, manifestar ao meu pai, e durante o ano todo de 2010 fui manifestando à minha mãe. Nesse perdão interno, me livrei desse pesado passado e leve feito pluma minha alma está, e com isso posso escutar mais a minha voz interior e aprender a me gostar, aprender que meu aprendizado veio por esse caminho, e que infelizmente nem todos conseguem entender isso. Seja entender-me como pessoa disposta a me expor aqui, ou seja até mesmo por eu ser quem sou hoje!

Quero dizer algo muito importante: Não estou preocupada no julgamento que possam fazer a respeito da minha pessoa, como disse antes, estou leve, minha alma aprendeu que ela não guarda rancor, nem mágoa porque é alma, se fosse meu ego, aí sim ainda estaria encrencada, e como estou em alma, não me incomoda o julgamento do ego de quem ainda está nele, afinal aprendi a respeitar isso também, cada um a seu tempo nas suas descobertas no seu caminho de vida! Aprendi que posso respeitar e não julgar , apenas isso e isso faz toda a diferença nessa vida!
 .....................


Fiquei muito feliz, o ano passado numa palestra que assistia na AASP em São Paulo sobre alienação parental, quando assustada soube que apenas um percentual de 5% das crianças que foram abusadas moralmente, emocionalmente nesse sentido se recuperam. Fiquei  feliz porque me incluí nesse percentual tão baixo! Outro estudo que me chocou foi que comparam e equiparam na seara de emoções e sofrimentos a alienação parental com o mesmo teor de dor e sofrimento de abuso sexual. Por essa razão fico mais feliz ainda por ter conseguido passar por tudo isso e poder estar aqui na minha exposiçao e quem sabe poder ajudar alguém. Não tenho outras pretensões, exceto e somente meu livro. Que Deus abençoe a todas as familias para que consigam se olharem nos espelhos das almas delas mesmas e com humildade e muito amor, salvarem-se uns aos outros. Tudo nasce lá dentro, nosso microcosmo primeiro! Abçs a todos!

São Paulo, 01 de março de 2011

Lucilene Aparecida Georgetti

lugeorgetti@yahoo.com.br

http://quandomarialuciacresceu.blogspot.com/

www.georgetti.adv.br

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

CAPITULO II - PAGINA 10 - OUTRO DEPOIMENTO NU E CRU : UMA DECLARAÇÃO DE AMOR -

Por que estou aqui, sujeita ao publico, expondo isso tudo?

Bom, primeiro desejo que saibam que eu jamais soubera antes ser vitima de alienação parental. Sabia sim, que algo estava errado, mas não havia nome para isso.
Desde cedo fui privada da convivência de meu pai, nao sei os motivos dele,não sei o que o fez se afastar de mim e de minha irmã, tão abruptamente e tão logo após a separação, nem sei também os motivos que o fizeram se calar por muitos anos, o motivo de sua inércia e o que sei é que eu e e minha irmã fomos rejeitadas, então cresci pensando dessa forma. Cresci sem pai nem mãe. Tendo pai e mãe vivos! Ao meu lado e ausentes ao mesmo tempo! Ausentes e distantes , vivendo cada qual em seus mundos de ilusões e frustrações.
Cresci sozinha , então!
Vivi sozinha, então!

Para me proteger, pensava eu , dizia que não tinha pai , que nunca iria casar, que não teria filhos e esse discurso seguia pela infância, adolescência e ...por muito tempo!

Passei pela infância em situações de grandes sofrimentos e angústia! Imaginava ou pensava que havia deletado meu pai, mas não podia sequer ouvir a musica que está aqui no blog "naquela mesa" que desatava a chorar...uma angustia do tamanho do mundo , sentia...

Uma infância solitária, sem apoio familiar. Vivendo numa família desmoronada, sem nenhum equilíbrio emocional, ninguém naquela família deveria ter equilíbrio emocional...triste, trágico..hoje não acho mais nada! Tenho certeza! (rs) fazer o quê, temos que rir!

Sabem , devemos ensinar nas escolas como ser pai ou mãe,(ainda quero falar muito sobre isso) não podemos permitir que muitos tenham filhos sem sequer ter o menor preparo e equilíbrio emocional para tal. Daí os grandes desastres emocionais, refletindo na vida social e no mundo como um todo.

Fiquei sabendo somente no ano passado assistindo a uma palestra sobre a SAP- SÍNDROME DE ALIENAÇÃO PARENTAL -  que fui uma vitima dessa síndrome, e o que mais me surpreendeu foi ouvir que apenas 5% das pessoas que foram vitimas desse tipo de abuso moral conseguem superar esse trauma tão grave que chega a ser comparado com trauma de abuso sexual! Foi quando fez-se a luz em minha mente e quando tive a oportunidade peguei o microfone e falei. Falei que estava feliz, que somente agora aos 45 anos havia conseguido de fato superar e perdoar a todos e a mim mesma por todo esse passado de dor e sofrimento. Fiquei feliz porque estava feliz! A sorte de ter visto essa palestra nessa época foi justamente por ter antes dela, conseguido perdoar meus pais, por ter conseguido transformar a dor em amor! A rejeição em amor! A morte em vida! A doença em saúde! Havia acabado de passar um domingo com meu pai, depois de 13 anos sem nos ver, aniversário dele de 70 anos, que por ironia caiu no dia das mães de 2010, e por felicidade ele tomou uma linda iniciativa de ir até parte do caminho da ponte que eu havia construído e atravessado anos atrás, mas que até então ele no andava nela...então , por desígnios do universo que só ele sabe , atendendo um desejo meu em ver meu pai no aniversário dele de 70 anos fez com que ele saísse de sua cidade de uma distância de mais de 400 km até perto de mim, ficou apenas a 50 km de distância de mim, foi uma bela andada na ponte, não? Feliz fui vê-lo! Feliz fui dizer pessoalmente que nada mais importava, que o passado estava lá no passado, precisamos deixar o passado lá quietinho....mansinho e calmo! Então, ao assistir essa palestra descobri com grande felicidade que eu estava incluída nesse percentual tão baixo, mas que sempre há uma esperança enquanto estamos aqui! Fiquei tão emocionada que não contive minha vontade em falar sobre isso ao microfone diante de desembargadores, advogados, psicólogos e outros profissionais, verdadeira catarse naquele momento!
Por pouco não chorei, mas fiz outros se emocionarem!

O Universo sempre conspira a nosso favor quando estamos no caminho do meio...não duvidemos disso!

Foi um grande presente do universo saber perdoar meus pais por tudo isso!

O mais interessante nisso tudo é que outro dia conversando com minha mãe, ela disse que jamais falara mal do meu pai! Ela não tem consciência disso passado mais de 40 (quarenta anos)!Ela não sabe o que significa ALIENAÇÃO PARENTAL - apesar de ter estudado direito perdeu a noção de "direito". Vive no passado cego de dor e raiva, misto de ira , ciúmes e vingança. Sim, acreditem! O espírito dela vive nesse passado até hoje! Haja visto o álbum de casamento deles que está todo rabiscado, escrito por cima das fotos com adjetivos, predicativos direcionados ao meu pai nada louváveis, então querida mamãe, me desculpe, mas isso existiu sim, foi criado um  grande monstro chamado "Georgetti" , não era meu pai, era um monstro que conheci através dessas palavras. Nunca permitiram que eu mesma tivesse condições de fazer minha própria conclusão, meu próprio julgamento! Grande erro de todos os pais que estão envolvidos nesse tipo de guerra, nesse astral energético tão pequeno , mas talvez necessário ainda para a raça humana aprender.


Mas o fato é que hoje, a estória para mim está superada. Tão superada que fico emocionada e orgulhosa de meus pais!
Por isso segue que eu vim aqui somente para dizer isso: Eu amo voce meu pai!
Eu amo voce minha mãe! Que Deus nos abençoe e nos perdoe por tantos erros cometidos no passado! Estou mais leve e feliz!
Minha mãe é linda como pessoa e mãe! Fez o que pôde, e na sua inocencia se estrupiou todinha também.
Meu pai , deve estar sofrendo até hoje, mas só o fato de podermos ter ficado juntos no seu aniversário, e ter passado meu primeiro natal com ele depois de 45 anos e ter podido lavar a alma e ter podido sentar no colo dele e ter chorado , já valeu a espera de uma vida toda! A minha espera e a dele! Que Deus nos abençoe como familia que somos! Que Deus nos proteja como pessoas que somos capazes de entender que acima de tudo existe o perdão! Acima de tudo existe familia! Acredito na familia e acredito nos meus pais!

Tenho muito pra dizer...vou poupá-los e partir para outra pagina!

A Lei 12.318 com seus maravilhosos artigos. Maria Berenice Dias já disse: Uma nova lei para um velho problema!

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI Nº 12.318, DE 26 DE AGOSTO DE 2010.
Mensagem de veto

Dispõe sobre a alienação parental e altera o art. 236 da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o Esta Lei dispõe sobre a alienação parental.

Art. 2o Considera-se ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este.

Parágrafo único. São formas exemplificativas de alienação parental, além dos atos assim declarados pelo juiz ou constatados por perícia, praticados diretamente ou com auxílio de terceiros:

I - realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício da paternidade ou maternidade;

II - dificultar o exercício da autoridade parental;

III - dificultar contato de criança ou adolescente com genitor;

IV - dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar;

V - omitir deliberadamente a genitor informações pessoais relevantes sobre a criança ou adolescente, inclusive escolares, médicas e alterações de endereço;

VI - apresentar falsa denúncia contra genitor, contra familiares deste ou contra avós, para obstar ou dificultar a convivência deles com a criança ou adolescente;

VII - mudar o domicílio para local distante, sem justificativa, visando a dificultar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor, com familiares deste ou com avós.

Art. 3o A prática de ato de alienação parental fere direito fundamental da criança ou do adolescente de convivência familiar saudável, prejudica a realização de afeto nas relações com genitor e com o grupo familiar, constitui abuso moral contra a criança ou o adolescente e descumprimento dos deveres inerentes à autoridade parental ou decorrentes de tutela ou guarda.

Art. 4o Declarado indício de ato de alienação parental, a requerimento ou de ofício, em qualquer momento processual, em ação autônoma ou incidentalmente, o processo terá tramitação prioritária, e o juiz determinará, com urgência, ouvido o Ministério Público, as medidas provisórias necessárias para preservação da integridade psicológica da criança ou do adolescente, inclusive para assegurar sua convivência com genitor ou viabilizar a efetiva reaproximação entre ambos, se for o caso.

Parágrafo único. Assegurar-se-á à criança ou adolescente e ao genitor garantia mínima de visitação assistida, ressalvados os casos em que há iminente risco de prejuízo à integridade física ou psicológica da criança ou do adolescente, atestado por profissional eventualmente designado pelo juiz para acompanhamento das visitas.

Art. 5o Havendo indício da prática de ato de alienação parental, em ação autônoma ou incidental, o juiz, se necessário, determinará perícia psicológica ou biopsicossocial.

§ 1o O laudo pericial terá base em ampla avaliação psicológica ou biopsicossocial, conforme o caso, compreendendo, inclusive, entrevista pessoal com as partes, exame de documentos dos autos, histórico do relacionamento do casal e da separação, cronologia de incidentes, avaliação da personalidade dos envolvidos e exame da forma como a criança ou adolescente se manifesta acerca de eventual acusação contra genitor.

§ 2o A perícia será realizada por profissional ou equipe multidisciplinar habilitados, exigido, em qualquer caso, aptidão comprovada por histórico profissional ou acadêmico para diagnosticar atos de alienação parental.

§ 3o O perito ou equipe multidisciplinar designada para verificar a ocorrência de alienação parental terá prazo de 90 (noventa) dias para apresentação do laudo, prorrogável exclusivamente por autorização judicial baseada em justificativa circunstanciada.

Art. 6o Caracterizados atos típicos de alienação parental ou qualquer conduta que dificulte a convivência de criança ou adolescente com genitor, em ação autônoma ou incidental, o juiz poderá, cumulativamente ou não, sem prejuízo da decorrente responsabilidade civil ou criminal e da ampla utilização de instrumentos processuais aptos a inibir ou atenuar seus efeitos, segundo a gravidade do caso:

I - declarar a ocorrência de alienação parental e advertir o alienador;

II - ampliar o regime de convivência familiar em favor do genitor alienado;

III - estipular multa ao alienador;

IV - determinar acompanhamento psicológico e/ou biopsicossocial;

V - determinar a alteração da guarda para guarda compartilhada ou sua inversão;

VI - determinar a fixação cautelar do domicílio da criança ou adolescente;

VII - declarar a suspensão da autoridade parental.

Parágrafo único. Caracterizado mudança abusiva de endereço, inviabilização ou obstrução à convivência familiar, o juiz também poderá inverter a obrigação de levar para ou retirar a criança ou adolescente da residência do genitor, por ocasião das alternâncias dos períodos de convivência familiar.

Art. 7o A atribuição ou alteração da guarda dar-se-á por preferência ao genitor que viabiliza a efetiva convivência da criança ou adolescente com o outro genitor nas hipóteses em que seja inviável a guarda compartilhada.

Art. 8o A alteração de domicílio da criança ou adolescente é irrelevante para a determinação da competência relacionada às ações fundadas em direito de convivência familiar, salvo se decorrente de consenso entre os genitores ou de decisão judicial.

Art. 9o (VETADO)

Art. 10. (VETADO)

Art. 11. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 26 de agosto de 2010; 189o da Independência e 122o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DASILVA
Luiz Paulo Teles Ferreira Barreto
Paulo de Tarso Vannuchi
José Gomes Temporão

DO CONCEITO DE SAP - SINDROME DE ALIENAÇÃO PARENTAL - da LEI 12.318 DE 26 DE AGOSTO DE 2010

O que é SAP? Sindrome de Alienação parental -

Primeiro:

O conceito legal da Sindrome da Alienação parental está disposto no art. 2º da Lei 12.318, de 2010, assim:

"Art. 2º Considera-se ato de alienação parental a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente promovida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este.

Parágrafo único. São formas exemplificativas de alienação parental, além dos atos assim declarados pelo juiz ou constatados por perícia, praticados diretamente ou com auxílio de terceiros:

I - realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercicio da paternidade ou maternidade;

II - dificultar o exercício da autoridade parental;

III - dificultar contato de criança ou adolescente com genitor;

IV - dificultar o exercicio do direito regulamentado de convivência familiar;

V - omitir deliberadamente a genitor informações pessoais relevantes sobre a criança ou adolescente, inclusive escolares, médicas e alterações de endereço;

VI - apresentar falsa denúncia contra genitor, contra familiares deste ou contra avós, para obstar ou dificultar a convivência deles com a criança ou adolescente;

VII- mudar o domicílio para local distante, sem justificativa, visando a dificultar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor, com familiares deste ou com avós.

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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

CAPITULO I - FUGINDO DE CASA - pagina 09

A viagem durava muito tempo. Em torno de seis a sete horas. E durante esse tempo ela foi conversando com esse amigo, e foi vendo em sua mente sua vida naquele lugar que estava indo.

Engraçado é que a lembranças ficavam tristes, já sentia saudades de coisas e momentos que não mais teria. Tudo seria desintegrado, pensava. Foi uma viagem sofrida emocionalmente.

Ao chegar na rodoviária, ficou feliz ao ver alguns amigos e inclusive o garoto esperando por ela. Gritavam: Ela veio! Ela conseguiu! Foi uma felicidade. Nem lembrava mais da carta, da mãe, irmã, nada!

Foi até a casa de sua amiga, cumprimentou a todos e estavam lá conversando e felizes quando toca o telefone.

_ Malu ! - chamou a mãe da amiga. Telefone pra voce. Sua mãe!

Meu Deus, e agora, a mãe iria estragar tudo! Mas ela foi atender.De início, a mãe só gritava, feito louca, depois ela disse:

_ Voce leu minha carta? Voce tem certeza de que leu direito a minha carta? Porque nela eu falo a verdade.Tanto falo que disse que estaria aqui, deixei o telefone da casa onde estou e voce está me ligando agora. Não é mesmo?

Ela disse que recebeu a carta na hora combinada, que de início ficou verde, vermelha de raiva e tudo mais, que ligou para o dono da empresa de ônibus, que era amigo da familia, para dizer que iria processar o cara porque eles venderam passagem para menor de idade e tudo mais, onde já se viu? Disse ela ao proprietário que, coitado, ficou sem saber o que fazer também, mesmo porque a viagem já tinha acontecido. O proprietário disse que ia pegar o nome dos funcionários que estariam trabalhando naquela hora e iria demitir quem tivesse vendido a passagem.


Quando Malu soube desse fato pela mãe ao telefone, ela disse para não fazerem isso!

Voltou à carta.

_ Voce lembra do que escrevi? Perguntou à sua mãe. Então presta atenção mais uma vez. _ sim, ela falava assim com a mãe ao telefone – eu disse na carta para que confiasse em mim, disse onde e como iria ficar, disse que já resolvi as coisas na escola para que com isso não se preocupasse, disse que não iria engravidar aqui não, se esse é seu maior medo, enfim voce confia ou não em mim? Então me respeite, porque essa é a minha vida e tenho o direito de fazer nesse momento o que estou fazendo. Estou me dando esse direito por ser a filha que sempre fui. Eu pedi , voce não deixou , então resolvi vir por minha conta e risco! Voce não tinha o direito de me falar não, porque eu não mereço esse seu não! Ficarei aqui por uns quinze dias e depois volto. Ufa! Consegui falar – pensou!

A mãe da amiga que nada sabia ficou surpresa com o que ouvia!

Mas do outro lado da linha, uma mãe , talvez assumindo um mea culpa, sossegou e ficou mais tranquila depois da conversa. Desligou o telefone mais calma.

Para tranquilizar a todos, contou que estava tudo bem com a mãe. Ufa! Mais uma vez!

Dalí um tempo, ainda , com todos na casa da amiga, aparece o pai do garoto lá. Nossa Senhora, agora ferrou! Pensou!

Mas o pai do garoto , era colega de classe da mãe da Malu, fizeram faculdade juntos, aliás o pai do garoto era o dono da faculdade e o dono do clube onde ela iria pular carnaval. Ele foi lá e disse:

_ Malu , sua mãe me ligou e contou o que voces dois fizeram. Mas não tem problema – Malu até acha que ele curtiu, gostou da daquela estória porque suas palavras não foram ditas de forma a repreender, mas sim em tom de diversão e alegria, com se estivesse orgulhoso dos dois!

_ Eu falei para sua mãe não se preocupar, que iria cuidar de voce enquanto estiver aqui. Certo? Voce chama quem voce quiser , e pode levar seus amigos ao clube para pular carnaval de graça. Ao chegar lá manda me chamar que eu coloco todos para dentro!

Êbaaaaaaaaa! Alegria geral!

Foi o carnaval mais feliz e depois o mais triste por ter sido o mais feliz da vida da Malu.
A mãe guarda a carta até hoje!
Malu vai recuperar o documento!


CAPITULO I - FUGINDO DE CASA - pagina 08

Os amigos ainda foram pedir para que a mãe a deixasse voltar ao menos no carnaval, e não se sabe o porque, fato é que tudo lhe fora negado.

Vendo a situação irreversível combinou com seus amigos sobre a sua possibilidade de ir escondida.

O garoto de que ela gostava, aquele garoto que de inicio a perseguia, mas que agora haviam ficado amigos, mas não namorados, também a ajudou.

De fato foi com ele que ela combinou tudo. Ele a convidou para passar o carnaval na casa dele, sua mãe negou, então eles resolveram fazer por conta própria!

Ele lhe deu dinheiro para as passagens já meses antes.

_ E se eu não conseguir, como faço para te devolver isso?

_ Não precisa, não tem problema, mas voce vai conseguir, vou ficar esperando!

Não tinha celular, não tinha internet. Não tinha computador, não tinha nada disso naquela época. Foi tudo combinado meses antes e nunca mais falou sobre o assunto , até a data marcada. Pois o combinado era que no dia que ela fosse embora ela ligaria, avisando -o.

O que ela fez antes, foi avisar as amigas e as respectivas mães das amigas que no carnaval estaria lá e ficaria com elas, na casa delas. As amigas e alguns amigos sabiam sobre a possível fuga, é evidente que os pais dos amigos não!

Antes disso, nos preparativos para a fuga, escreveu uma carta para a mãe e entregou nas mãos da irmã, fazendo promessas e jogando pragas mil para que a irmã somente entregasse aquela carta, já no momento em que ela estaria na cidade de Tupã, isso seria por volta de oito horas da noite. A mãe chegava do trabalho por volta de seis e meia, então o que falar até as oito sobre a irmã fujona?

_ Voce não fala nada, enrola, diz que estou na casa da Cris, enfim, se entregar a carta ou falar pra mamãe antes da hora eu te mato! Nunca mais falo com voce se não te matar, e se não te matar eu acabo com sua vida em vida! Enfim, prometeu fazer da vida da irmã a mais sinistra possivel. Como elas nunca se entenderam ela sabia que a irmã iria contar antes.

A irmã ficou estarrecida, mas prometeu cumprir o tratado.

CAPITULO I - FUGINDO DE CASA - pagina 07

Ao aproximar o inicio das aulas do ano em que já estava na nova cidade, Malu se preparava, nervosa, será que iria até o fim com seu plano?

As aulas se aproximavam, então sua mãe lhe mostrou a nova escola e o novo local de trabalho, que por sinal não ficava muito longe da escola.

No primeiro dia de aula, Malu arrumou suas “coisas” escolares , pegou uma bolsa da mãe, naquela época a bolsa era grande, mas não tanto como é hoje, e colocou algumas roupas dentro. Como sua mãe nem desconfiou? - Pensou. Nada. Não usava as bolsas dela. Mas nada falou! Não sei dizer o que cabia lá, nem o que colocou. Sua mãe lhe deixou na escola e foi ao trabalho.

_ Nossa! Que mausoléo! - pensou! É aqui ? Bom deixa eu ver onde estou.

Foi até um escritório dentro da escola e informou sobre a secretaria. Chegando lá, avisou a quem de direito quem ela era, que era aluna nova, que vinha transferida de escola, que a vaga era dela mas que estava ali avisando que iria faltar pelo menos os próximos vinte dias, mas que voltaria e tomaria o lugar dela. Feito isso, saiu ao portão!

Sinceramente ela não sabia onde estava, lugar, bairro, nada!

Ao sair , perguntou a primeira pessoa que passou onde ficava a rodoviária. Acreditem, ficava a alguns quarteirões dali. Deu para ir a pé!

Pensava: Meu Deus! Que sorte!

Chegando lá, comprou passagem para Tupã , e ao descer para aguardar o ônibus, por sorte, encontrou um amigo de Tupã que estava indo para lá. Foram juntos. E no caminho ela contou o que e como estava lá.

Ela , na verdade, estava fugindo de casa! Era isso!
Contou ao amigo que já estava tudo combinado em Tupã.
Já que ia mudar, ela ao menos desejava voltar para passar o carnaval lá. Seria seu primeiro carnaval em clube fechado , pulando a noite com amigos!